quarta-feira, 28 de setembro de 2011

La Vanguardia, jueves, 15 Septiember 2011

O texto abaixo é de Pepe Baeza, editor gráfico do jornal La Vanguardia, jornal barcelonense.
Livre tradução minha.
Quando li estava em Andorra e pensei que é uma das melhores considerações acerca do fotojornalismo, especialmente para quem se debate entre a maneira de abordar a dor.

"Uma das mais altas funções  que pode cumprir o fotojornalismo é mostrar ao público as vítimas dos conflitos, essa maioria que sofre as consequências dos interesses e da cobiça alheias. Ao mostrar sua situação, a fotografia testemunhal cultiva uma memória que amplamente dificulta a impunidade dos executores.
Qualquer documento que dá testemunho daquilo que se passa em um lugar e em um momento relevante, difundido em um contexto honesto, é precioso.
Mas se o fotojornalismo soma um valor estético à verdade e à precisão de seus conteúdos, sua eficácia aumenta.
Dizia Marcuse que a beleza forma parte da imaginação da liberdade: é um dos reconhecimentos mais preciosos de que a verdade e a beleza convivem harmonicamente e de que a representação da dor alheia, pela responsabilidade que contém, deve fazer uso de todos os recursos retóricos que sirvam à expressão não só do fotógrafo mas sobretudo da essência da realidade mostrada.
Na fotografia de imprensa não há outro tratamento digno às vítimas  que o de fazê-las visíveis e não há que se confundir a qualidade intrinsecamente feia de qualquer situação violenta e suas consequências com o cuidado profissional e a eficácia com que essa realidade se representa, precisamente para sua melhor compreensão. Profissão, verdade e beleza estão presentes nesta magnífica fotografia de Alfons Rodriguez.

La foto premiada: una familia llora ante el féretro de un familiar, asesinado en Srebenica



2 comentários:

  1. Profe, pelas danças e contradanças da vida, não poderei ir ao II Floripanafoto e, talvez por masoquismo, voltei a passear por este blog.
    A saudade dos bons momentos vivenciados na Oficina (cheguei a sentir o cheirinho do café do "seu" Hélio), assim como as referências a Rio Grande, onde vivi dois ótimos anos, me judiaram um pouco. Por outro lado, teus textos e imagens me levaram numa bela viagem. Pelo que, agradeço. Por favor, transmita um abraço à turma do Getúlio.
    Parabéns pelo teu blog.
    José Adilson

    ResponderExcluir
  2. Querido Adilson, sua ausencia sera sentida, mas todos entendemos as contradanças da vida e esperemos sempre os reveses, pois mares, temos altas, temos baixas... Um grande abraço e, na vida, nunca deixe de esperar por uma boa cena...
    Mara

    ResponderExcluir