quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Marés e Plenilúnio






Fui andar, ver o famoso ‘entardecer no Campeche’. Andava e pensava nos vãos da vida, em suas dobras, e por ser final de ano – ou não, penso em todas as pessoas lindas que tenho em minha vida. Amigos e amigas, colegas, minha família...
Os pensamentos vagueiam por conta própria e eu deixo, às vezes serenos, às vezes turbilhão. Como as primeiras ondas da infância quando, na praia do Cassino, era colhida pelas vagas.
E vi retornar em ondas, minha infância, minha adolescência, meus amores juvenis... Os homens, mulheres e crianças, que amo, que amei, que amarei.
Lá encontrei uma ex-aluna, uma artista fotógrafa. Pensei nas minhas amadas amigas fotógrafas. Disse a ela que o que busco é algo que nunca vi. E na beira do mar, onde as pescas acontecem, é que sempre vejo o novo. Talvez porque as ondas sempre voltam, mas nunca as mesmas.
Nesta praia é por onde ando apaixonada, pelas marés, pela neblina que agora baixa, pelas gentes que vejo ao longe.
Assim vou, o vento leve, um norte me embalando. Já avisto o ponto de onde parti caminhando, percebo a centenária canoa 'Gloria', minha velha conhecida, pronta para sair. Chego sôfrega e pergunto ao Mestre: Vamos entrar...? Ele: Vamos fazer um arrastão...
Eu só tinha em minha bolsa a maquineta do João, e não encabulei. Ele não sabia que eu poderia acender uma cidade...
Fiquei por lá celebrando o fato de estar viva e entre humanos, tão humanos...
E mais uma lua quase cheia que inventou de nascer quando tiravam do mar milhares de tirolesas, que são sardinhas de casca dura, morrendinho, mas fotogênicas, bem fotogênicas. Creio que tudo isto pode ser visto como uma metáfora do cotidiano humano. De um ano em uma vida, ou de um ano na vida, das relações entre o homem e o tempo e o espaço. Homem, tempo, natureza.
Um abraço a todas e a todos neste ano que inicia. Seguem fotografias da coisa em si.