sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Dia do Professor


No dia do Professor e das Professoras, lembrei de minhas duas primeiras professoras: Dona Eva e Dona Norma. Infelizmente, exemplos a não seguir. Eram cruéis, ausentes e sem graça. Pensei que detestaria a escola para sempre.
No dia do Professor e da Professora nem tudo são flores ou maçãs. Pronto, eu e minha irmã Ana brincávamos, aos seis, sete, oito anos de idade, como todas as crianças, de escolinha: simulávamos aulas com muitos castigos, repreensões e professora aos berros. Folhas e folhas de castigos a serem preenchidas, 'não devo conversar na sala, não devo... não devo...'.
Aos dez anos conheci Dona Nildete. Era de uma beleza de todas as formas, preenchia a sala com seu bom humor, não deixando de ser severa com a classe. Com ela aprendi a ser professora, orientando, esclarecendo, animando, pegando na mão. Ela me ensinou Chico Buarque e Cecília Meirelles, e também os tempos verbais.
Depois, tive o professor Protásio, que me ensinou vida e política, em plena ditadura militar, para desespero de meu pai. Professor Jorge, e até algum amor pela matemática. Professor Jarbas e mais improvável amor pela mesma matemática... Professora Maria Helena, por quem senti afetos de filha, quando ela auxiliava em meus fracassos na Educação Física...
Veio o Professor Arno, com seu Português belo, minha bela língua, meu querido Professor... E o professor Ricardo, perfeito, caprichoso, condescendente, a sublinhar as palavras do quadro com giz colorido... Professor Alejandro e a semiótica, Professor Eduardo, tenho uma foto dele, Professora Peposa, na faculdade, sociologia, a chamávamos tanto de peposa que esquecemos seu nome... Professor Ettiene Samain, meu precioso professor, Professor Fernando, a quem chamo 'professor', que tenta me ensinar a nadar...
Bons e maus professores tive às pencas, como todos nós... Cada vez mais fui aprendendo a gozar do bom e do bem, e relevar, combater ou denunciar o mau e as injustiças.
Tornei-me professora e procurei seguir os melhores exemplos, sendo bondosa, esclarecida e orientando meus alunos na verdade. Ainda busco a verdade e minha auto-censura é atenta, às vezes severa.
Acredito que a função do Professor e da Professora é orientar para a verdade, seja qual for a área. Sou grata a todos os meus professores, aqui nomeados ou não por terem me tornado uma pessoa melhor, uma cidadã decente. Agradeço a Paulo Freire, Esther Grossi e João Batista Freire, e minha diretora Maria Helena, quando eu já era professora, no colégio Municipal Senador Salgado Filho. Aos Mestres, com Carinho.
(As três da fotografia são: Ana, Mara e Elisa).