quinta-feira, 28 de julho de 2011

Um texto de Leonardo Boff

Fotografei Severino em Manaus, 2007, antes que ele me conduzisse pelos rios.

“Ouvi na Alemanha, nos meus tempos de estudante, uma pequena história que não é uma fábula, mas um fato verdadeiro. (…) Certa feita, um camponês capturou um filhote de águia. Criou-o em casa com as galinhas. A águia se transformou aparentemente numa galinha. Um dia o camponês recebeu a visita de um naturalista que conhecia os hábitos das águias. Este disse: – A águia não cisca o chão como as galinhas. Ela é chamada a voar alto e estar acima das montanhas.
O camponês retrucou: – Mas ela virou galinha. Já não voa mais.
Disse-lhe o naturalista: – Ela não voa agora, mas ela tem dentro do peito e nos olhos a direção do sol e o chamado das alturas. Ela vai voar.
Certa manhã os dois foram bem cedo ao alto da montanha. O sol nascia. O naturalista segurou a águia firme, com os olhos voltados para o sol. E então lançou-a para o alto. E a águia, transformada em galinha, despertou em seu ser de águia. Ergueu vôo. Ziguezagueante no começo, depois firme, sempre mais alto e mais alto, até desaparecer no infinito do céu matinal.

Companheiros e companheiras de sonho e de esperança: dentro de cada um de nós vive uma águia. Nossa cultura e os sistemas de domesticação nos transformaram em galinhas que ciscam o chão. Mas nós temos a vocação para o alto, para o infinito. Libertemos a águia que se esconde em nós. Não permitamos que nos condenem à mediocridade. Façamos o vôo da libertação. E arrastemos outros conosco, porque todos escondemos uma águia em nós. Todos somos águias”