sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Solidariedade


(Chico César)

Perto do coqueiro
Onde eu tirei a foto
Encontrei o button
Do solidariedad
Solidariedade
Só me dá saudade
Da comunidade
É comum me dar
De quando eu vivia aqui
De quando eu vivia ali
De quando eu vivia ai
De quando eu vivi

De Manoel Bandeira


BRISA

Vamos viver no Nordeste, Anarina.
Deixarei aqui meus amigos, meus livros, minhas riquezas, minha vergonha.
Deixarás aqui tua filha, tua avó, teu marido, teu amante.

Aqui faz muito calor.
No Nordeste faz calor também.
Mas lá tem brisa:
Vamos viver de brisa, Anarina.

João Pessoa


Talvez o melhor lugar do Brasil para se viver seja João Pessoa. É bonita, agradável, simples. Tudo funciona, é limpa e está muito próxima da minha grande tentação: o sertão.
O Norte e o Nordeste mudaram muito, ao contrário do Sul do Brasil: mudou para as gentes mais miseráveis, melhorou, há mais limpeza, escola, saúde e alegria por lá. O Sul não mudou porque a nossa vida por estes lados já é mais equilibrada: então, que a vida continue melhorando para os nossos irmãos.

O Passarinho Nasceu Livre



Este é um poema que aprendi e decorei na quarta série primária, na aula da belíssima Dona Nildete. Onde andará minha professora...?

O PARDALZINHO NASCEU LIVRE
QUEBRARAM-LHE A ASA
SASHA LHE DEU UMA CASA

ÁGUA, COMIDA E CARINHOS
FORAM CUIDADOS EM VÃO
A CASA ERA UMA PRISÃO

O PARDALZINHO MORREU.
O CORPO, SASHA ENTERROU,
A ALMA, ESSA VOOU
PARA O CÉU DOS PASSARINHOS

(Manuel Bandeira)

Theo Vive em Todos os Outros






Porque a vida retoma seu curso, e é preciso relatar as andanças, é que retomo o ano e o blog contando aquilo que me pedem: por quais rumos Theo enveredou.
Um dia, não chovia nem nada, eu zelosa por Theo, soltei-o cedo. Ele relutou, ficou a minha volta, pelo Jardim Branco, que é o pátio dos fundos de minha casa. Mas, uma hora, Theo se foi. Dei-lhe adeus e senti a separação do pequeno pássaro, que já era dono da casa, e ficava solto pela mesa do almoço, subindo em tudo. Theo enchera a casa de alegria, e agora partia. Disse-lhe que fosse feliz e encontrasse sua família, uma vida da qual eu não faria parte. Estava findo seu ciclo, ao menos em minha vida.
No final da tarde, voltei ao jardim branco, vazio. Chamei uma vez, com o tom de voz que criei para falar com ele: Thééééoooo........
Ele veio. Voou junto do muro e eu sorri feliz, ele, cativo. Ficou no Jardim Branco, esvoaçando e cantando, a tarde toda. À noite, temendo por ele, prendi-o no banheiro.
Por dias fiz o mesmo, soltando-o, querendo que partisse, mas chamando-o à tardinha, e ele voltava e eu sorria. Ficava feliz, Theo era meio livre, e era o meu passarinho...
Um dia, fui viajar. Uma semana na Paraíba. Quando voltei, Theo tinha encontrado seu rumo. Chamei-o por dias, como chamo-o ainda hoje, quando ouço algum piado que se pareça com a voz de Theo.
Quando passam bandos, sorrio e penso, lá vai o Theo, livre e feliz. E agora, ele é para mim todos os passarinhos, e eu posso me alegrar com todos, sem jamais esquecer aquele que alegrou meu coração. Theo sempre será único, nunca vou perdê-lo.