quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Anotações para o Dia da Fotografia




Aristóteles lá, fazendo suas primeiras observações do fenômeno da câmera obscura, há mais de dois mil anos quando, em seu dolce far niente, anotava que, por um buraquinho bem pequeno, a luz vinda lá de fora vinha registrar na parede do quarto escuro a imagem trazida do exterior. De cabeça para baixo e da direita para a esquerda, um fenômeno ótico.
Cento e Setenta Anos transcorreram desde o registro do Daguerreótipo como invenção, em Paris. Muito se pintou até que os químicos, transformados em fotógrafos, descobriram uma forma de fixar a imagem em alguma superfície.
Meus avós estão com cerca de 110 anos, os quatro. Não estão mais por aqui, mas seus retratos sim. Os quatro observam o que faço no ateliê, todos os dias, químicas, alunos e alunas, estúdio, flashes...
Hoje, discutimos reinvenções, sociologias e filosofias da Fotografia.
Terão nossos netos, daqui 100 anos, fotos nossas? Como serão guardadas? A mídia escolhida será durável? O formato ainda poderá ser lido? Como pensar em 100 anos de memória, nós, que já esquecemos o disquete?
Nós que tememos a fugacidade, inventamos a Fotografia...
Sobre a fotografia e suas mudanças, lembro da exposição de Guy Bourdin no MuBE, em sp.
A controvérsia, a sensualidade, o surreal e a provocação estão presentes nos seus trabalhos. Um dos mais famosos fotógrafos de moda da história, fotografava não o 'produto' - e talvez por isso Fotografia de Moda seja um ramo totalmente diferente de Fotografia de Produto - , fotografava uma história para a roupa, ou antes, uma história para quem veste a roupa. São os chamados 'editoriais de moda', tão apreciáveis, instigantes e criativos. São os desdobres geniais de algo aparentemente tão técnico - a Fotografia...
Guy Bourdin, no MuBE, até 31 de agosto. Vamos lá comemorar. Pode fotografar.