quarta-feira, 14 de julho de 2010

Rio Grande de São Pedro


Distante de Porto Alegre cerca de 300 quilômetros, e do Uruguai, 240, Rio Grande fica  dois metros acima do nível do mar e as temperaturas de inverno são em torno dos dois graus centígrados.
Por causa de um Porto muito grande e antigo, que atualmente está em fase de expansão, os cheiros de soja e outros grãos, e o cheiro azedo típico dos portos, mais a umidade da cidade, nos dão a impressão de uma cidade que mofou. Nem só por isto, mas também porque, além do porto, ao qual chamamos "Super Porto", nada mais mudou na cidade. Em quase meio século, apenas a periferia expandiu, com todas as características das periferias brasileiras, excetuando o fato de que Rio Grande é uma cidade absolutamente plana. Esgargalhos de antenas a perder de vista.
Rio Grande é a cidade onde nasci, na Santa Casa da Misericórdia (misericórdia...). Era meio dia e um temporal varria a cidade. Fazia escuro e eu berrava.
Costumo pensar que Porto Alegre é a cidade onde um dia quero envelhecer, e Rio Grande é a cidade onde um dia envelheci.
Não obstante, sou feliz a cada julho, onde vou revisitar os miasmas marinhos, e vejo os galhos hirtos do inverno e fotografo finalmente minhas outras securas de infância.
Lá estão as aves de inverno, e lontras e jacarés, nos banhados infindáveis, onde também cavalos pastam seu pasto na água.
Quando escrevo sobre Rio Grande fico assim, vagando com frio. E me sinto no fim do mundo, abandonada aos ventos, criança sem entender os mapas. Rio Grande cala meu coração.

Rio Grande, julho de 2010