quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Para o Aniversário da Minha Filha


Presença




É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,

Teu perfil exato e que, apenas levemente,

O vento das horas ponha um frêmito em teus cabelos...



É preciso que a tua ausência trescale subtilmente, no ar,

A trevo machucado, as folhas de alecrim desde há muito guardadas

Não se sabe por quem, em algum livro antigo...



Mas é preciso também que seja como abrir uma janela,

E respirar-te, azul e luminosa no ar...

É preciso a saudade para eu te sentir,

Como sinto em mim a presença misteriosa da vida.



Mas quando surges, és tão outra, e múltipla, e imprevista,

Que nunca te pareces com o teu retrato.

E eu tenho que fechar os meus olhos para te ver...





( Mário Quintana )

Miscelânias de uma Aula de Fotografia

A trilha, a procura, a dificuldade, a dúvida sobre prosseguir ou desistir, fotografar de longe ou aventurar-se... Tudo isto faz parte das lições de Fotografia. A Fotografia produzida no final, é às vezes documental, às vezes banal, às vezes tão bela... Mas, de quantas aulas saímos na vida (não só das aulas de Fotografia) e pensamos: o que foi mesmo que aprendi?
Das coisas que aprendi, aprendi que o tripé fixa minha câmera impedindo que minha mão trema, mas aprendi muito mais a deter-me, olhar, armar o tripé, pensar, analisar... Tripé colocado, eu invisto mais. Câmera na mão, faço a foto.
Aprendi os cuidados para a trilha, mas sobretudo, aprendi a observar, a procurar, a investigar.
Das objetivas, aprendi que elas são meu pós olho, sem mim nada de novo se cria...
A mecânica da Fotografia é simples como dirigir (...). A poesia da mensagem, a intenção, o conteúdo criado e disposto, tudo meu. Como meu olho: ele só olha. Sou eu quem vê e interpreta.
Os fotógrafos antigos (eu há 20 anos) usávamos colete. Num bolso uma objetiva, noutro, outra... Rapidamente, pegávamos 'o bicho', a gente, o que passasse. Hoje, as objetivas são mais versáteis e a qualidade é menor. Temos 18/200mm que cobrem a torre inteira ou buscam o pássaro.
Vendo uma fotografia antiga do meu pai, lá está ele, de bigodes, após o serviço, em um bar em Rio Grande. Elegante, com seus bigodes. Um grupo por perto e por longe, as coisas todas do bar, provavelmente ao entardecer. Não há flash. Não há desfocamento. Não há sequer um ponto 'tremido' ou que denote movimento.
Maior do que a saudade dos tempos antigos é a espera pelo novo, e a disposição rumo ao desconhecido, o que vou fazer com isto, e melhor ainda?
A fotografia mostra os esforços de Nélson, praticamente jogado para dentro da água... Salvou-se do capim capa-cão...