sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A Flauta Vertebrada


Um fragmento que Maiakovski fez há tempos 
e uma fotografia que fiz no final de semana.



'Se é verdade que tu existes,
Senhor,
Senhor Deus,
Se és tu quem teces o manto das estrelas,
Se este sofrimento
Cada dia maior,
Se este martírio
Por ti me foi enviado,
Senhor,
Põe-me então as cadeias de condenado.
Aguarda minha visita.
Serei pontual.
Não me atrasarei nem um só dia.
Escuta,
Supremo Inquisidor.

Lábios cerrados,
Nem um grito soltará minha boca
Mordida até sangrar.
Amarra-me a um cometa,
Como à cauda de um cavalo
E chicoteia!
Que meu corpo se estraçalhe
Nos dentes das estrelas.
Ou então: quando minh `alma migratória
Franzindo o cenho carrancudo
Estiver diante de teu tribunal,
Atira a Via Láctea,
Faz dela uma forca
E dependura-me se quiseres,
Qual um criminoso.
Faze o que quiseres.
Preferes me esquartejar?
Eu mesmo te lavarei as mãos,
A ti que és justo.
Mas – ouves? –
Afasta de mim aquela maldita,
Aquela que tu fizeste minha amada!'

Nenhum comentário:

Postar um comentário