quinta-feira, 17 de março de 2011

Era 1967

Era 1967, havia dentro da casa um banheiro. Ele não funcionava, e a cada uso, a mãe jogava um balde d’água. As meninas – eram três filhas, usavam o urinol.


A vida na Vila Sant’Anna não era de luxo, as casas eram simples e as mais firmes tinham parede dupla de madeira, pois o Minuano soprava mais impiedoso a cada inverno. Deve ter tido um tempo em que regrediram, as ventanias, pois hoje nem no Saco da Mangueira nem no Cassino no inverno faz um frio como aquele. Quando as meninas moraram na casa de parede dupla, tinha um buraco na parede da cozinha, resto de uma instalação elétrica mal feita. Aquele buraco recebia restos de moela, bife de fígado e outras comidas detestadas. O buraco tinha boca, mas era mudo...

Mudaram anos mais tarde para uma casa mais simples, sem banheiro dentro de casa: havia uma 'capunga' ou 'patente' no fundo do quintal, algo absurdamente anti-higiênico: uma casinha de madeira, um banco elevado com um buraco no meio, por onde... Sim. E a companhia constante das varejeiras.

O detalhe bacana era que em Rio Grande ventava copiosamente. Então, nos dias de pior humor dos ventos, podia-se, com sorte, ver alguma capunga voando pelos ares...

É tudo verdade...

Rio Grande, 2010

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