quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A Partida do Pequeno Pássaro




Theo parece dormir.
Depois de interminável piado, num tom que é quase canto, ressona sobre um poleiro improvisado, dentro de uma gaiola de hamster.
Não que eu tivesse um hamster: não. Eu comprei a gaiola, pequenina, para abrigar temporariamente Theo, que caiu de algum ninho e que eu encontrei estrebuchando na boca da Frida, a caçadora de pássaros. Frida lamentou a perda do divertido petisco, mas guardei Theo com carinho e fui dando de comer ao bichinho, insetos caçados pela casa e pequenas minhocas.
Fiz um teste, devolvê-lo às dobras do telhado, mas ele caiu novamente e agora Vini, a gata amarela, encarregou-se de molestá-lo.
Dias, Theo já voa pela área de serviço, e amanhã o libertarei. Estou esperando o sol. Creio que ele precisou passar uns dias comigo, para fazer-me refletir.
Ele é apenas um pequeno pássaro, como qualquer outro. Junto de mim, sendo ele meu e eu dele, assume sua importância e adquire um status de ‘único’. Mas, liberto, voará como todos os pássaros e eu lembrarei dele com amor, até, e verei em todos os pássaros o ‘meu’ Theo, e lembrarei sorrindo como também fui dele. E amarei outros pássaros e pessoas e luzes que virão, e ele poderá ser qualquer pássaro, pois depois que eu libertá-lo – uma pequena perda, ele será meu para sempre, nunca mais o perderei, pois verei em todos Ele.

Um comentário:

  1. Teo voará levando você e espalhará o amor que você tem pelos bichos e pelas pessoas por todos os lugares onde ele chegar. As pessoas deveriam amar os bichos e soltá-los para eles levarem o que temos de melhor. A não ser os bichos domésticos, claro, pois eles não querem ir embora.

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