quinta-feira, 2 de julho de 2009

O AMOR

MAIACOVSKI, Vladímir Vladímirovitch

O AMOR

Um dia, quem sabe,
Ela, que também gostava de bichos,
Apareça
Numa alameda do zoo,
Sorridente,
Tal como agora está
No retrato sobre a mesa.
Ela é tão bela
Que, por certo, hão de ressuscitá-la.
Vosso Trigésimo Século
Ultrapassará o enxame
De mil nadas,
Que dilaceravam o coração.
Então,
De todo amor não terminado
Seremos pagos
Em inumeráveis noites de estrelas.
Ressuscita-me,
Nem que seja só porque te esperava
Como um poeta,
Repelindo o absurdo cotidiano!
Ressuscita-me,
Nem que seja só por isso!
Ressuscita-me!
Quero viver até o fim o que me cabe!
Para que o amor não seja mais escravo
De casamentos,
Concupiscência,
Salários.
Para que, maldizendo os leitos,
Saltando dos coxins,
O amor se vá pelo universo inteiro.
Para que o dia,
Que o sofrimento degrada,
Não vos seja chorado, mendigado.
E que, ao primeiro apelo:
- Camaradas!
Atenta se volte a terra inteira.
Para viver
Livre dos nichos das casas.
Para que
Doravante
A família
Seja:
O pai, pelo menos o universo;
A mãe, pelo menos a Terra.

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