sexta-feira, 24 de julho de 2009

A Cidade Onde Nasci 2




Nascer em Rio Grande é crescer em meio ao mofo e aos fortes odores da pesca, do porto e da pobreza, para a maioria. Andando por lá há mais de 4 décadas, percebo que os prédios antigos não foram derrubados, estão lá, guardando os olhares da minha infância. Só que também não foram restaurados. Tudo como dantes. Também a praça Tamandaré, a Xavier Ferreira, o Hotel Paris, onde D. Pedro se hospedou... Parece que tudo parou no tempo, esperando a volta do Imperador...
Não bastasse isto - e isto tem que ser assim - , ainda tem o frio do inverno, onde o vento sopra feito cavalo chucro gelando e assustando o vivente. A umidade do ar trata de fazer o resto do serviço...
Pois é no inverno que gosto de ir lá, quando me encapoto e vou à praia. Prefiro só, porque a paisagem é todinha de solidão, de infinito. Foi isto que disse a meu pai, e ele, que ama verdadeiramente a cidade onde viu nascer 4 filhos, diz, olhando para a horta: Também gosto, Marucs, parece o fim do mundo...

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