quarta-feira, 25 de março de 2009

Feminimalismo



Em duas ocasiões fui presenteada com o mesmo livro, "As Canções de Bilitis". São elegias que o autor, Pierre Louÿs, relatara ter encontrado em local secreto, traduzido e publicado a partir de escritos de sua pressuposta autora, Bilitis. Em 1894, alinhavado por delicada e erótica temática, 'amor e lesbianismo', o livro que causava estranhamento aos conservadores de plantão, era ovacionado pelo círculo acadêmico-intelectual pela maravilhosa tradução e perfeição dos versos de Bilitis, e finalmente odiado quando o autor revelou, um ano antes da sua morte, que não se tratava de tradução, eram de sua autoria os versos. Louÿs (assim mesmo, com trema) foi execrado, chamado de charlatão e a qualidade dos versos foi rapidamente revista pelos espertinhos literatas...

Um artista plástico mo presenteou por primeira vez no início da década de 90 do século passado. 'Mara, você adorará', disse (Editora Max Limonad). Já neste século, uma ex aluna de fotografia (Editora Paraula) deu-me o presente: 'É a sua cara'. Hummmm... Gabriela perguntou-me: Mãe...?'

São todos poemas belíssimos: falam principalmente sobre o amor entre mulheres. Hoje escolho o que aborda o sentimento materno para mostrar-lhes. Um Max Limonad. O Paraula segue em destino desconhecido, emprestado. Devolvam-me.



Palavras Maternas


Minha mãe banha-me no escuro, veste-me em pleno sol e penteia-me à luz da lâmpada. Mas, quando saio ao luar, ata-me o cinto com duplo nó.

E me recomenda: "Brinca com as donzelas, dança com as crianças. Não te ponhas à janela. Foge à palavra dos jovens e teme o conselho das viúvas.

Uma noite, à porta, em meio a grande cortejo de sonoros tímpanos e amorosas flautas, alguém te virá buscar.

Nesta noite, quando te fores, Bilitô, deixar-me-ás três frascos de fel: um para a manhã, outro para o meio dia e o terceiro, o mais amargo, para os dias de festa."

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