terça-feira, 31 de março de 2009

Ainda Leila Diniz


O livro é impagável, e explica muitas coisas que as mocinhas de hoje desconhecem. Por que Leila Diniz estava deslocada dos padrões da época? (Na verdade, ela estava uns 40 anos a frente...).

Trecho da página 156 do 'Leila Diniz', de Joaquim Ferreira dos Santos:

"A revista Cláudia acabava de publicar um anúncio em que um médico oferecia serviços chamados sombriamente de 'himenologia ou medicina conjugal'.

Só no ano anterior, em 1968, havia sido regulamentado o trabalho feminino, proibindo-se a discriminação de sexo para a nomeação em repartições públicas.

Moça de família não sentava de perna aberta.

Cohn-Bendit tinha começado o Maio de 68 na França apenas porque a estudantada queria o direito de os rapazes visitarem as moças nos seus alojamentos e vive-versa. (...)

Só em 1967 a Constituição brasileira havia finalmente concedido aposentadoria integral às mulheres com trinta anos de serviço.

Não muito antes a mulher podia ser deserdada pelo pai por ter sido 'desonesta', ou perdido a virgindade.

O divórcio não existia.

Sexo, só depois do casamento. Antes, era furor uterino.

A palavra orgasmo vinha só no gênero masculino.

Moça direita só ia ao cinema com o rapaz se a irmã acompanhasse, caso contrário caía na boca do povo, virava 'galinha'.

Mulheres desacompanhadas de macho não frequentavam bar ou restaurante (...)."

É, meninas...

Umas de nós herdamos vergonhas e pudores de nossas mães e avós, minha mãe nunca falou os nomes das partes do corpo, quer de forma pejorativa, chula ou científica. Nossos filhos e filhas são os grandes herdeiros de um tempo onde se pode pensar bem o que fazer com a liberdade: afinal, agora, ela existe.
A foto foi feita em Mendoza, Argentina de janeiro.

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